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Link: http://www.tvcultura.com.br/REPORTERECO/artigo.asp?artigoid=29

As motos geram cada vez mais acidentes e contribuem para o aumento da poluição do ar.



Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco.


Parece evidente que o Brasil terá de formular com urgência uma política específica e regras rigorosas para o tráfego de motocicletas. Se não o fizer, terá pela frente problemas e custos cada vez mais graves.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, as motocicletas já representam mais de 8 por cento da frota de veículos - são cerca de 430 mil. E respondem por 29,5 por cento das mortes no trânsito no Brasil - que são 30 mil por ano. Quase metade das vítimas tem entre 20 e 44 anos de idade. No mundo, as mortes em acidentes de trânsito - um milhão e 200 mil por ano - já são a maior causa de morte violenta.

A proliferação das motos tem muitas causas. Uma é o custo menor que o de um carro. Há consórcios em que se pode comprar uma moto por 90 reais ao mês. A segunda é o menor custo de operação. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, uma viagem de 7 quilômetros num grande centro urbano custa 60 centavos numa moto; um real e 20 em ônibus; e um real e 80 de carro.

A terceira razão é o tempo menor gasto nas viagens de moto. Nesse mesmo percurso de 7 quilômetros, enquanto a moto gasta 16 minutos, o carro precisa de pelo menos 20 minutos e o ônibus de 43 minutos. Por isso, parte dos usuários de motos têm carros também, mas usam motocicletas para ganhar tempo.

Uma quarta causa é a terceirização de serviços. Boa parte das empresas acha mais barato e mais eficiente utilizar os serviços terceirizados de um motoqueiro do que manter funcionários para fazer serviços externos.

Prevê-se que de 3 a 5 anos serão vendidas no Brasil mais motos que carros. Só que esse crescimento trará ainda mais problemas.

Além de gerarem cada vez mais acidentes, as motos estão contribuindo fortemente para o aumento da poluição do ar. Uma moto nova emite quase 16 vezes mais gases poluentes que um carro novo.

E com certeza a falta de regras - ou a sua não obediência pelos motoqueiros - está agravando os problemas do trânsito nas grandes cidades. As motos em geral não respeitam regras para ultrapassagem e até mesmo sinais fechados. Ninguém controla seus níveis de emissão de gases.

É preciso cuidado. Não se deve esquecer que esse meio de transporte é cada vez mais importante para pessoas de menor renda. Mas não se pode cruzar os braços. Porque essas mesmas pessoas seriam as maiores vítimas. Haveria mais acidentes, mais mortes e mais poluição.


 


Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa "Xingu" e, mais recentemente, "Primeiro Mundo é Aqui", que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.



claudioalex wrote on May 12, '08
Mas os ambientalistas que gostam de moto não aceitam.
Dizem que é conversa fiada.

É igual aos amnbientalistas fumantes.
laroye wrote on May 12, '08
E que ismo não é conveniente, não é mesmo, minha gente?
Piores que motos são aquelas motonetas que nem placa têm e andam costurando no meio do trânsito, dirigidos por pessoas que nem precisam tirar carteira.
claudioalex wrote on May 12, '08
È que o Mayo não conhece bem os motoqueiros e motoboys aqui de Sampa.
São infernais! Acho que nunca vi essas que vc fala aqui não.
Aqui eles fazem isso com motos normais. E têm placa, mas de que adianta?

Mas o pior mesmo são os ambientalistas motoqueiros.
quereres wrote on May 12, '08
Goiânia tem o maior número de motos do país, em porcentagem, é claro.
Tamos ferrados...
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