Link: http://br.today.reuters.com/news/newsArticle.aspx?type=sportsNews&stor...Por Mair Pena Neto
RIO DE JANEIRO (Reuters) - As vaias que começaram na cerimônia de abertura e que parecem não ter fim nestes Jogos Pan-Americanos são repudiadas por atletas, técnicos e dirigentes, que começam a se preocupar com a imagem que será levada do país.
O que poderia ser interpretado inicialmente como um protesto político, no caso das vaias ao presidente Lula na festa de abertura, se estendeu a rivais tradicionais, novos adversários e até a unanimidades, como o técnico Bernardinho da supercampeã seleção masculina de vôlei.
"Isso é terrível, é uma falta de educação. O Brasil nunca mais traz uma competição como essa para cá. Feriram o espírito olímpico", disse o decatleta Ivan Silva, acrescentando que o jamaicano Maurice Smith, vencedor do decatlo do Pan, estava "indignado" com as vaias.
Cada vaia pode ter uma explicação, mas o fenômeno parece estar ficando fora de controle. Nesta terça-feira, no estádio Olímpico João Havelange, durante as competições de atletismo, todos os atletas estrangeiros, desde que houvesse um brasileiro na prova, eram vaiados.
Na prova de salto em altura, do heptatlo, houve um visível constrangimento das atletas estrangeiras. Algumas tentaram sorrir e ignorar as vaias da torcida, mas no fim da prova se mostravam incomodadas. Durante a disputa, pareciam não entender as vaias quando corriam para o salto e a comemoração da torcida quando derrubavam o sarrafo.
"Achei feio. Entendo que apoiem as brasileiras, mas me pareceu demasiado", disse a argentina Daniela Crespo, uma das atletas mais simpáticas do heptatlo, que reagiu às vaias com sorrisos, mas no final da disputa lançou um olhar furioso para a torcida.
"Acho que podiam aplaudir pelo menos um pouquinho as outras atletas. Vamos ficar com má impressão," acrescentou.
Vencedor dos 100 metros rasos do Pan, Churandy Martina, das Antilhas Holandesas, foi outro a reclamar. "Já vi vaias em outros lugares, mas nunca como aqui. Isso prejudica a concentração", afirmou o campeão da prova mais rápida do atletismo dos Jogos.
"PARECE FUTEBOL"
O locutor do estádio fez alguns pedidos de aplausos aos atletas e o placar eletrônico também exibiu mensagens amistosas, mas todas foram ignoradas pela torcida. "Nunca vi coisa igual", comentou Carlos Alberto Cavalheiro, ex-técnico da equipe brasileira, que hoje trabalha no Catar. "Parece torcida de futebol."
Carlos Alberto Lancetta, chefe da equipe brasileira de atletismo no Pan, com quatro décadas de vivência no esporte, também considerou ruim o episódio, mas lançou um olhar mais filosófico para o fenômeno.
"Isso demonstra a falta de cultura esportiva. Competições assim não acontecem muito no país", afirmou, embora reconhecendo não ter visto reação igual em nenhum outro país, com pouca ou muita tradição no esporte.
"A torcida sempre apoia mais o atleta de seu país, mas respeita os outros, e aplaude sempre os campeões", destaca Lancetta.
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, concorda com Lancetta em relação à falta de hábito do torcedor brasileiro de acompanhar competições de alto nível fora do futebol, mas vê uma sucessão de fatores como possível explicação das vaias.
"Primeiro teve aquele membro da delegação norte-americana, que colocou no quadro uma frase infeliz, o que acirrou os ânimos contra os Estados Unidos. Depois veio a rivalidade com Cuba no vôlei e com a Argentina no futebol. No fim, entra um pouco da irreverência do brasileiro."
Os atletas brasileiros também se mostram incomodados com os excessos cometidos pelo público. A judoca Danielle Zangrando, medalha de ouro na categoria leve, gostou do apoio da torcida, mas reprovou as vaias às adversárias. "Não acho legal, pois todos fizeram grandes sacrifícios para estar aqui e merecem reconhecimento."
Medalha de ouro no salto triplo, Fabiana Murer foi na mesta toada. "Acho chato e a prova ficaria mais bonita com os aplausos a todas", comentou após sua conquista, na segunda-feira.
Qualquer que seja o motivo, as vaias parecem ter passado do limite e arranham o sucesso da competição. "É sem dúvida o ponto negativo do Pan", atesta o presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley.
 | Falta de cultura e educação gerais - não só esportiva - isso vem da vida!
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 | Os locutores, em geral, apoiam as vaias. Uma coisa. |
| Os locutores  São uns animais! |
 | Ei, Claudão! Os bichos não tem nada com isso, não! acho que os atletas brasileiros já deviam ter tomado uma posição conjunta e ido aos midia para segurar essa onda, pô! |
 | Aliás, o Diego Hipóllito já tinha reclamado dessa babaquice lá no começo, quando ganhou o ouro no salto sobre o cavalo. |
| Há animais bons e animais de índole ruim. Como as pessoas. Esses são os da pior espécie. |
 | Educação de boa qualidade, sem isso nada vai ficar bem. |
| Eu já não tenho esperança que tal Educação chegue um dia.
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 | natus wrote on Jul 26, '07 Isto é o reflexo do Brasil de hoje, infelizmente. |
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